VIENA, Austria . 30-31.01

     Como este é um blog sobre o trabalho voluntário pela AIESEC na Polônia, deixo relatos detalhados apenas dos lugares que visitei lá. Mas como, por causa desta viagem, tive a oportunidade de conhecer alguns países vizinhos, mesmo que com pouco tempo, ficam aqui algumas fotos e inspiração para também ir sim! (e voltar sim!) Infelizmente, fotografei apenas com um celular na maior parte dos próximos posts, mas vamos com algumas imagens, explicações, informações e curiosidades sobre cada cidade!

     Já que a escola teria 2 semanas de férias, pensei em aproveitar bastante os arredores. Em cima da hora, entretanto, fui informada por uma das estudantes responsáveis por mim na Polônia que conseguiram contato com outro lugar para me receber, uma espécie de orfanato do outro lado do estado. Com passagens já compradas, mantivemos a primeira semana de férias e me comprometi a voltar em seguida.

     Acontece que… com a semana corrida, o fim de semana em Zakopane sem internet e voltando a Trzciana no domingo à noite, só então fui pensar nos dias que viriam, e soube que o amigo que me acompanharia (um dos poloneses queridos que conheci em Varsóvia!) não conseguiria chegar às 5 da manhã na Cracóvia, onde havíamos combinado de pegar o ônibus. Um tanto desesperada pra arrumar mochilão (emprestado!) de 2 semanas fora, sem lugares para dormir reservados e tendo que estar pronta em algumas horas para aproveitar a carona de Pawel para a cidade, usei todas as minhas habilidades de viajante e a ajuda do amigo para fazer a coisa acontecer.

     Depois da estrada escura e com ajuda de meu anfitrião para achar o ônibus, às 5h em ponto embarquei, com um contato feito e nada mais certo. A viagem durou cerca de 6 horas e fez uma parada numa loja de conveniência onde fui ao banheiro reparando que, por mais que continuasse não entendendo nada, os caracteres e a fala eram diferentes. Descobri então que estávamos em Brno, na República Tcheca! A paisagem havia mudado radicalmente dos casarões do sul da Polônia na véspera, com construções agora bem mais simples.

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    Como Varsóvia provou bem, amigos são tudo nessa vida e por sorte divina ao chegar em Viena fui direto ao apartamento de um diplomata belga amigo de amigo, onde sua esposa me recebeu. Com o desfecho inusitado, mapeei logo o principal da cidade e tracei um plano – e para minha felicidade ainda maior, o local era excelente então poderia fazer tudo a pé, sem perder tempo tentando entender o transporte em alemão!

     Em 3 minutos, cheguei a Karls Kirche, ou St. Charles Church, que começou a ser construída em 1716, linda por fora e por dentro.
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O mais legal é que (pelo menos quando fui) o acesso estava permitido até a cúpula, ou seja, o chapeuzinho mais alto da construção, lá em cima mesmo!

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     A cidade tem um “quê” de elegante, mais do que outras capitais europeias, visto sobretudo nos prédios, mas também nas modas, nas cafeterias…

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     Para quem aprecia arte, o Albertina Museum é um programa para várias horas, com exposições para todos os gostos. Entre esculturas…

… quadros de artistas como Monet, Picasso e locais…

… fotografias famosas do cinema mundial…

… arte contemporânea…, entre outros.

     Tentei visitar a Ópera, mas os horários não permitiam. O curioso são homens vestidos totalmente a caráter (roupa, peruca..) em volta da bilheteria oficial, tentando vender ingressos de obras badaladas – cambistas chiques! Viena é famosa pelos espetáculos e atrai turistas só pra isso, e como interessada no assunto queria muito ver algo. Para minha surpresa, entretanto, a pessoa que me atendeu na bilheteria de 3 óperas não falava inglês. E gerou a pior situação da viagem: comprei um ingresso entendendo ser um musical infantil (até aí, sem problemas), consegui achar o teatro a pé, entrei, mas ao começar percebi que se tratava de uma espécie de masterclass com um pianista sobre o tal musical. 90% da plateia tinha de 50 anos em diante, inclusive os que sentavam ao meu lado, e toda a fala era em alemão. Assim, passados 15 minutos fui pegar meu casaco e bater papo com os simpáticos guardadores, que não sabiam como ajudar mas entenderam minha frustração! O chato é que deixei de fazer outras coisas pois me programei pra isso…

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     O jeito foi bater perna mais um pouco, até a hora que me chamaram para jantar em um restaurante tradicional, dentro de um barco ancorado!


     De manhã, com a vista da cúpula da igreja, deixei a mochila arrumada e corri para o ponto de encontro do Free Walking Tour. Cerca de 15 pessoas bem encasacadas cercavam a guia, uma simpática designer tcheca que logo me cumprimentou e deu as boas vindas.  Durante cerca de 2,5 hrs com 2 paradas para banheiro e fugir do frio arrasador (o pior que sentiria essa semana, por causa do vento), ela falou da história da cidade, deu dicas de filmes, e mostrou vários pontos turísticos.

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    Terminada a caminhada congelante, a melhor ideia foi me abrigar e fazer a visita do Mozart Haus, o museu que foi uma das casas em que o famoso compositor e músico morou, justo nos mais prestigiosos anos de sua vida. Sendo proibido tirar fotos nos cômodos, a visita vale como uma aula de música, de forma bem mais interativa e interessante para leigos inclusive.

     E de lá para mais umas voltinhas pelos pontos por que passamos rápido, como a grande Biblioteca e a Prefeitura… prédios enormes e imponentes como a cidade gosta.

Só que para fechar minha breve visita com chave de ouro e presente de frio, nevou!

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Já de noite, as luzes da cidade me encantaram de novo, principalmente a da Ópera que teve de ficar para outra vez.

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      Correndo para passar no mercado perto de casa e comprar algo para comer, precisava ainda pegar o mochilão, me despedir e chegar no terminal de ônibus para deixar a cidade.

     Agradecendo aos deuses e amigos por tornarem uma visita tão súbita e não planejada em uma experiência tão tranquila e enriquecedora, voei para o metrô, atenta em onde mudar de linha. E com o fluxo bom de timing dessa viagem, cheguei de novo a tempo e bem feliz para um percurso de cerca de uma hora até a capital eslovaca, Bratislava!

 

~ ~ ~ ~ ~

ALGUMAS INFORMAÇÕES E CURIOSIDADES:
  • Viena é cara! A moeda é euro, mas os preços, pelo menos na zona central da cidade, são pra lá de salgadinhos (e gasta-se bem mais comparando com os custos das mesmas coisas na Polônia, onde a moeda é mais próxima do real).
  • Não há tantos pratos típicos, mas um bem popular é o (Wiener) Schnitzel, um bife fino empanado, servido com batatas e salada, que lembra um grande nugget…
  • Já em relação a doces, um bem conhecido é a Sachertorte. Criada em 1832 para um príncipe, a receita de chocolate com uma fina camada de compota deu tão certo que é copiada por vários cafés (tão presentes na cidade). Se você gosta de doces secos…
  • Viena chegou a ser capital do Império Romano, e na época de guerras foi bem mais devastada na Primeira Guerra Mundial do que na Segunda, quando apenas 15% foi destruído.
  • Em mais de um museu, fui solicitada a deixar a bolsa para frente. Se possível, largue tudo no coat room!
  • Entre os filmes para entender melhor a Áustria, procure Sissi (disponível aqui), sobre uma de suas princesas mais ousadas, e Amadeus, sobre seu orgulho maior, Wolfgang Amadeus Mozart.
  • Falando nele, algumas informações: Criança prodígio, Mozart aprendeu muito com o pai e desde os 7 anos viajava tocando, o que logo o deu notoriedade e contatos com membros da alta sociedade, família real, militares, padres, artistas… Natural de Salzburg, mudou-se para Viena em 1781, deixando o trabalho na côrte para se dedicar a empreender e lidar com teatros, patrocinadores, clientes, plateias. Uma de suas frases gravadas na casa (em tradução livre) é “Eu gostaria de ter tudo aquilo que é bom, autêntico e belo”. Para ampliar seu networking e perspectivas de trabalho, não se abstinha de gastar com roupas e manter boa aparência. Com queda por jogos de azar, também não deixava de pedir dinheiro aos amigos para jogar. Nessa época, Viena virou uma espécie de meca musical, atraindo muitos aspirantes a grandes músicos. Mesmo com a grande competição, Mozart se destacava por ter contatos e influência. Sua casa extremamente elegante e bem localizada tinha um aluguel mensal equivalente ao que muitos ganhavam por ano em Salzburg, e era habitada pelo casal e seus 2 filhos, além de 3 empregados e visitas ocasionais. No início, o músico também dava aulas e corrigia partituras para poder mantê-la. O período no que é hoje a Mozart Haus foi o mais produtivo de sua vida por tocar paralelamente vários projetos, lidando com a pressão de aulas, composições, ensaios e apresentações. Foi nessa casa que ele compôs, por ex., Fígaro, a famosa ópera, baseada em acontecimentos locais bem conhecidos. Entretanto, em geral, a música de Mozart não era popular, exceto algumas de maior sucesso como Fígaro ou A Flauta Mágica. Outra famosa foi Don Giovani, que fez um enorme sucesso em Praga, onde o “Casanova” que deu origem à trama estava presente na plateia. Sua música foi bem apreciada pelo escritor alemão Goethe, que enquanto diretor de teatro na cidade de Weimar/Alemanha deu enorme apoio ao trabalho de Mozart, organizando 282 apresentações de suas óperas.
  • E para referência, um mapa do centro, em tudo o que fiz a pé:map
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