ZAKOPANE ~ TATRA MOUNTAINS . 28-29.01

     Como já contei aqui, minha ida para a Polônia foi tão repentina que não pesquisei nada sobre o País, suas cidades mais turísticas ou populares, nem nunca tinha ouvido falar das montanhas Tatra, uma cordilheira incrível na divisa com a Eslováquia. Como aqueles melhores presentes que a vida traz de surpresa, a família que me hospedava tinha planejado uma viagem a Zakopane, referência de turismo de inverno nesse País que me encantava cada vez mais, e não à toa. Com as meninas doentinhas, fui convidada a acompanhar mesmo assim o pai e o filho, em uma viagem de cerca de 2,5hrs rumo a uma paisagem ainda mais linda… e fria!

20170128_110259.1 Primeira parada: Esquiar no Kotelnica20170128_110304.1 Białczańska! Além da calça, casaco, etc, etc, me emprestaram todo o equipamento, o que significa uma economia danada. Por causa das férias escolares a fila era grande, mas não me lembro de ouvir inglês nela! De novo me adaptando ao aparato grudado aos pés, fomos deslizando até sermos empurrados pra sentar no banco e ficarmos com os pezinhos balançando.

     A descida foi divertida, pois as pistas são bem mais amplas do que eu estava acostumada, e com gente pra todos os lados. Queria um café para acordar mente e corpo, mas este só viria depois, e aos poucos fui lembrando as posições, tentando não fazer feio e acompanhar meus anfitriões queridos.

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    Ao chegar ao topo novamente, os 5 graus já pareciam verão! Com o sol forte, dá-lhe tirar goggles, capacete e luva por uns instantes. Enquanto eu 20170128_122225.1apreciava a vista, Pawel, o pai, entrou no burburinho para buscar uma espécie de bebida quente e grossa, que lembrou um quentão…

     Com a confiança aumentada, resolvemos descer por uma pista mais difícil. O detalhe: eles fazem isso todo ano, já eu… já expliquei minha história com esqui aqui! Resultado: dominei uma freada no limite de entrar em uma 20170128_133513zona proibida (com camada fina e água congelante!), e só fiquei feliz de novo quando Pawel me fez olhar pra trás e ver o quanto já tinha descido sem levar um tombo! Além disso, a paisagem da cidade se descortinando abaixo e os 360graus que me rodeavam eram tão lindos que se não deu pra registrar com câmera, ficarão guardados pra sempre em minha memória. Já na descida bem inclinada seguinte, me vi obrigada a ouvir a voz interior e ceder pra humildade, desencaixando os esquis, e andando pra baixo carregando botas e equipamentos, a fim de conservar minhas pernas no lugar… Insisti para os meninos descerem mais uma vez, e me pus a observar e pensar sobre a doidera de vir parar aqui, enquanto um mês antes eu estava na praia curtindo a família no Rio, apenas cogitando fazer algo diferente em janeiro!

     Para recarregar as energias na saída, comemos Oscypek  – o queijo produzido com leite de ovelha e só nessa região (deliciosamente ilustrado aqui!).


     A segunda atração espetacular do dia, ainda mais inesperada, foi algo que minha alma tropical nunca sonhou existir: um parque aquático indoors, com dezenas de atrações e piscinas quentes, externas inclusive – no pé da montanha, com frio de graus negativos e neve para todos os lados! Ao entrar no Strefa Zabawy, a primeira coisa é passar por um dos espaços colados uns nos outros, onde um banco rente a 20170128_174733 - Copyum dos lados tranca as duas portas ao ser baixado – a que você usou para entrar, e a de acesso aos lockers. Tira blusas, casacos, touca, luva, meias, calças, bota e o que mais tiver, para sair só de roupa de banho – no meu caso, aquele lá do início em Trzciana! É engraçado ver todo mundo encasacado e 3 minutos depois, quase nu segurando tudo! Guardamos e nos separamos, para passar pelos vestiários – o meu, cheio de mulher.

     Nos reencontramos e Pawel tentou me explicar, mas logo fiz como Patrick, o filho de 9 anos, e saí correndo para explorar os jatos de água, os espaços com correntes que te levam, a piscina com ondas fortes… Meu anfitrião subiu para os tobogãs, e depois de uma filinha viramos criança também, deixando o corpo molinho depois da pressão do esqui!

     Até onde vi, são 3 salões de piscinas internas, com conexões por espécies de túneis às piscinas externas, assim acessíveis sem precisar sair da água. Abrir a porta para sentir o fresquinho é congelar em 5 minutos, mesmo com toalha! Lá fora, fui a um espaço onde o movimento das pessoas provocava enormes ondas para lá e para cá, e assim esbarrei em Patrick. Ao entardecer, sem câmera à prova d’água, só na memória mesmo ficou a surrealidade do local e momento… Mas voltei para fotografar à noite.

     Ao encontrar Patrick, aproveitamos para almoçar lá mesmo, pois a essa altura a fome era gigante. Com pratos quentes e frios, cafés e sobremesas, até eu que como pouco (antes da Polônia…) fiz pratão. Relaxamos um pouco nas espreguiçadeiras e pra relaxar ainda mais, fui levada às saunas, que já ficam em espaços mais restritos e menos cheios.

     Esqueça a sauna pequeninha do clube, do hotel 20170128_174559 - Copyfazenda… Aqui ao entrar no “Saunarium”, já fui solicitada a tirar o biquíni em uma salinha comum com nichos para largar o que tiver e ficar só de toalha. Reservada a adultos, alguns (principalmente sessentões de grande porte) não se incomodam muito com se cobrir nem com a forma como vieram ao mundo. Pawel foi para uma sauna masculina e entrei sem querer em uma mista, em meio ao vapor, só para perceber que tinha apenas dois homens e sair de fininho. Achei uma feminina cheia, mas quem cuida é homem… morrendo de calor e novata na situação nudista, saí rapidinho. Mas é algo a se tentar!

     Voltei às piscinas externas e às massagens e curti cada cantinho que me agradou mais, sem a menor ideia de quando a vida me proporcionaria voltar a local semelhante. O lugar é tão bem preparado que a “chave” de acesso ao locker é algo que fica preso como um relógio no pulso o tempo todo, então não tem como perder. Despida assim e totalmente relaxada, ô preguiça de botar tudo de novo… De volta ao corredor de saída, há secadores de cabelos para todos os lados, e claro, disputados por homens e mulheres, adultos e crianças para poder sair!


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     Uma das coisas que mais gosto ao viajar é acabar com certezas e ver como tudo pode ser diferente… Até mesmo o cachorro-quente! Paramos para comprar água e um de nós acabou não resistindo…

 

    Passamos então no hotel para deixar o carro, tomar banho e trocar casacos e calças de esqui por roupas normais. Em 10 minutos de caminhada chegamos ao centrinho da cidade, fofo e ainda decorado pro natal, e com as carrocinhas que vendem o queijo, algumas já fechadas por causa do horário.

     Na rua principal, segui a indicação deles e jantamos no Stek Chałupa, um casarão onde (de cima) você come vendo seu prato ser preparado, e com música tradicional ao vivo animando os já animados frequentadores locais. Comemos prato principal quente, mas a entrada, igualmente maravilhosa foi o típico: Oscypek, geléia de cranberry e bacon – tudo maravilhoso, saí bem satisfeita

     Demos mais uma voltinha e ao voltar a pé pra casa, quem disse que sabíamos o caminho? A cidade é pequena e, fora da movimentação principal e no escuro, todas as casas têm modelo parecido à noite… Andamos, andamos, e sem conseguirmos acessar  a internet nem ninguém na rua para perguntar, quase batemos em uma casa aleatória para pedir ajuda, mas a inspiração bateu e Pawel viu algo que fez lembrar o caminho certo. Com todos cansados, os dois dormiram em uma cama de casal, eu na outra, e não demorou para pegarmos no sono!


No domingo, acordei com essa vista, enquanto os meninos ainda dormiam:

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     Depois de cochilar mais um pouco, fomos acordando e só então reparei de fato na mobília do quarto: como é comum na região, tudo foi fabricado à mão, entã20170129_072100.1o os detalhes dos móveis rústicos são algo à parte!

     Até no restaurante, que por sua vez tinha um buffet de café da manhã para ninguém ficar com fome, com pães, presuntos, queijos da montanha, bem como tomates, cogumelos, azeitonas, bolos, sucos… Delícia!

     O hotel por si só também merece a indicação: Zakopiański Dwór, já reservado por eles, então não tenho ideia de preço, mas bem aconchegante e localizado. Vale a despedida:

     O engraçado foi ao pegar o carro: se flocos de neve já são algo mágico ao cair e se desmancharem no ar, o que dizer deles gigantes, congelados no painel impedindo a visão? Para mim que não ia dirigir, algo encantador..!

20170129_092151 - Copy     Seguimos em direção a outra montanha, talvez a principal da cidade. Para chegar até lá, um mini-ônibus faz o percurso. No caminho, algumas pessoas andavam calmamente, apesar da subida íngreme, sem pressa pra chegar. 20170129_094346.1

   Minha terceira grande surpresa desse final de semana seria a paisagem nevada mais linda que já vi na vida, subindo em um dos picos das montanhas Tatra. Mesmo que o ponto mais alto da cordilheira fique na Eslováquia (Gerlachovský štít), o lado polonês não deixa a desejar e possui um bondinho (como o do Rio, mas com o trajeto beeeeem mais longo) que serve tanto para quem quer ver a paisagem quanto para os esquiadores e snowboarders com competência o bastante pra descer algo bem alto e inclinado. Depois de uma filinha, subíamos nós.

20170129_101547 - Copy     É pena que não dê para botar vídeos aqui, porque a subida é realmente deslumbrante. Como o espaço fica cheio, as fotos não refletem bem, apenas as filmagens! Quando você acha que chegou, dá-lhe esquis e snowboards para todos os lados, para mudar de bonde e continuar outra subida. Lá em cima, os atletas se misturam aos turistas, e como turista, é melhor tomar cuidado! Para ter ideia dos caminhos possíveis para descer, veja mais sobre o incrível + Kasprowy Wierch.

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     Inventamos de subir até o topo para ver a vista do outro lado, entre tropeços, e escorregões, ora de frente ora de costas… E cadê o preparo físico?

     A vista do outro lado é a que aparece como destaque neste post… O lugar é tão grandioso que deu pena minha máquina ter ficado sem bateria e não poder botar vídeos… Mas já viram que vale demais a ida!

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      Sendo uma grande região turística sobretudo no inverno, mas também no verão para caminhadas e esportes nos verdes das montanhas, já deu para perceber que atrações não faltam. Voltamos à parte central da cidade, para ver onde, algumas semanas antes, um campeonato bem badalado foi disputado. Olhando para a inclinação da pista / palco do evento, é fácil entender por quê! E para os iniciantes, esqui mais leve também é possível!

O comércio de barraquinhas agitado também marca a temporada de férias!

    E para finalizar meu fim de semana dos sonhos e de criança,16426772_1722086671455282_1711881097_n - Copy acompanhei Patrick nas bóias… Afinal, a única habilidade exigida é sentar e deixar ser “guinchado” morro acima por cordas presas à boia, e lá de cima deslizar como em um escorregador esculpido na neve… e não é que a coisa vai rápido?! No final, nem queria levantar mais!


     Esta viagem seria um passeio”zinho” antes de a família partir de férias para a França, mas o verdadeiro motivo – que para mim veio muito a calhar, era outro. Apaixonado por futebol e craque no time da escola, Patrick ficaria em um acampamento de inverno com jogadores de todo o País, sob o treinamento de técnicos conceituados e visita de olheiros. Era hora então de se apresentar, deixar mala, pegar uniformes, conhecer a equipe… Chegamos na mesma hora que um colega de Trzciana, e a professora sua mãe logo me abraçou, fazendo festa por rever fora da escola. Sem conseguirmos nunca nos comunicar por causa da língua, qualquer formalidade era quebrada pela recepção calorosa!
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     De todos os campos de futebol que já vi na vida, esse foi um dos mais peculiares, por toda a neve e paisagem em volta:

Nos despedimos e saímos para ver mais um pouquinho da cidade…

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e adivinhem aonde voltamos para almoçar (Bom demais)!

 

     Termino este relato com mais fotos da estrada e dIMG_6086 - Copyo caminho de volta para casa, engarrafado na saída da cidade. Eu, é claro, feliz demais pela chance de conhecer um local tão remoto de forma tão repentina… e pelo presente surpresa maravilhoso que a vida me deu!

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